sábado, 20 de outubro de 2012

Trabalho com listas...

    As listas estão presentes no cotidiano de todo mundo. Quem não faz uma lista de compras quando vai ao supermercado?

    Por este motivo, é um tipo de texto que apresenta grande fonte de aprendizagem na alfabetização, pois sua estrutura é simples e faz parte do contexto social dos alunos.
     
     As variações são inúmeras, tanto em atividades de leitura, quanto de escrita.
     
   Os trabalhos podem ser realizados em grupo, duplas, individualmente, usando lápis e papel ou letras móveis.
     
   Considero estas atividades como as mais eficazes no meu trabalho e não abro mão de realizá-las duas vezes por semana (leitura e escrita).

   Além disso, as listas exercem papel fundamental no processo de avaliação durante a Alfabetização, caso queira saber como usar a lista de palavras para avaliar seus alunos clique aqui.

Campo semântico: Aprendi na prática


  Como já disse em outra postagem, no começo da carreira, fiquei confusa sobre qual metodologia seguir, mas sobre a eficácia das listas, eu nunca tive dúvida.
    
    No meu primeiro ano de trabalho tive uma experiência inesquecível...
     
    Levei para a classe uma " bela lista " de palavras com a letra " B ". A primeira palavra era BALEIA.
   
    Pedi para o aluno ler, pois eu já tinha " trabalhado o BA-BE-BI-BO-BU ", então era óbvio que ele saberia, mas não conseguiu. 

   Então eu disse que a primeira palavra era BALEIA e perguntei qual era a segunda. Ele respondeu GOLFINHO. Continuando, disse que a terceira era TUBARÃO.
   
     Vocês podem notar que houve um equívoco, mas não do aluno e sim da minha parte.
     
    O aluno pensou com uma lógica: se a primeira palavra era BALEIA, a lista era de animais marinhos.
    
   A lista que eu fiz não tinha um tema. Por se tratar de palavras com a mesma letra, era ampla, inadequada e não tinha nenhuma função social. 
     
    Deste momento em diante concluí que era essa linha que eu iria seguir. Não posso dizer que a teoria construtivista é absoluta, mas ocupa quase todo o espaço na minha prática.
    
    Se a lista tem um contexto e o aluno tem essa informação, consegue ler, mesmo sem saber ler convencionalmente e com certeza vai avançar no processo de alfabetização.
     
    Veja os modelos abaixo e faça uma comparação...


     É claro que a proposta não é " largar " a lista na mão da criança, mas solicitar que localize o que está escrito. E ao escrever, não se espera que escreva convencionalmente, mas que escreva segundo sua hipótese, refletindo e justificando suas escolhas. É nesse momento que pode confirmar ou descartar o que pensa sobre a escrita, ampliando seus conhecimentos.  

     Segue abaixo alguns exemplos de atividades para trabalhar com listas:








quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O que não pode faltar em uma sala de alfabetização - Parte II


Lista de nome dos alunos

     Uma das estrelas da minha sala de aula é a “lista de nomes” dos alunos colada na parede. Posso dizer, com certeza, que é uma das ferramentas mais eficazes.

     Além de o nome próprio ser parte da identidade de cada pessoa, ele também proporciona uma série de avanços na aprendizagem dos alunos justamente por ser uma escrita tão variável.

Como fazer:

     Este cartaz deve ser feito com letra bastão maiúscula, bem legível de qualquer parte da sala, pois a criança terá fácil acesso ao material. Se ela precisar se levantar para fazer qualquer consulta poderá se atrapalhar e perder a concentração.

     Não é necessário ter nenhum enfeite, letra colorida ou destacada, pois a referência é o nome e não a decoração.

     Eu, particularmente, coloco os nomes em ordem alfabética, sem separação entre meninos e meninas.

     Aqui está a minha super lista deste ano...



Como usar:

     Desde o início do ano, faço leitura diária desta lista( pelo menos enquanto ainda tenho alunos não-alfabéticos), bem como atividades diversificadas sobre esse tema. Para exemplificar, indico o Guia de Orientações do Ler e Escrever do 1º ano ( de cor vermelha ), que recebi da escola, especificamente a partir da página 35, mas que também baixei no site: http://lereescrever.fde.sp.gov.br/SysPublic/InternaMaterial.aspx?alkfjlklkjaslkA=302&manudjsns=0&tpMat=1&FiltroDeNoticias=3
     Como é muito utilizada, a lista acaba sendo memorizada, o que se torna muito útil, pois o nome próprio é uma escrita estável, ou seja, nunca mudará. É uma referência segura. Por isso, ao escrever uma palavra que comece da mesma forma que um nome da lista, a relação é instantânea. O que facilita o aprendizado. Ex: Ao tentar escrever a palavra BICICLETA, o aluno irá procurar o nome da BIANCA, e assim por diante.

     Aproveito os nomes complexos para trabalhar as primeiras noções de ortografia. Sendo assim, esta ferramenta se torna uma fonte inesgotável de aprendizagens, se for usada, é claro!

     Então podemos escolher se este cartaz será nosso ajudante de todos os dias ou se será só mais um cartaz na parede do “ambiente alfabetizador”.